quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Capitulo 24 - Eu não acredito!




- Então, já consolas-te o menino? – disse a Leonor
- Não me enche o saco. – disse o David
- É melhor subirmos. Que isto já está animado.
Depois de ele ter dito aquilo percebi o quanto esta derrota mexeu com ele, o quanto ele sofre com o clube… Abri a porta e subimos…
- Ao perder pelo menos que perdesse-mos justamente.
- A ser roubados deste jeito… Não dá mesmo.
- Vocês dão a volta. Desta correu mal, para a próxima corre melhor. – disse a Leonor
- É por isso que dá muito mais gosto, ganhar em cada jogo, em cada campeonato, para poderem mostrar do que são feitos os benfiquistas, que por muito que roubem que ganhem injustamente, damos a volta por cima, para esfregar-mos cada vitória na cara de quem nos rouba ou roubou… - acabei por dizer
Eles ficaram os três a olhar-me…
- Que foi?
- Lindas palavras. – disse o David
Corei…
 O elevador parou… Entramos em casa e sentamo-nos no sofá…
- Então o que é que vamos fazer? – perguntei
- Ver televisão… - disse a Leonor.
Liguei a televisão e em todos canais por onde passava falavam ou comentavam o desfecho do jogo que tinha tudo para que o Benfica ganhasse. Mas isso foi algo que não aconteceu.
- Bem, mais alguma ideia? – disse desligando a televisão
- Não. – responderam eles
- Jogadores de futebol precisam de saber gerir… que me dizem a uma partida de monopólio? – disse prontamente a Leonor
- Sempre deve dar para passar umas horas entretidos. – comentou o Ruben
Eu olhei para o David e ele estava a olhar-me… Fugi daquele olhar sincero, simples, seguro e esverdeado…
- Eu estou com sede, vou á cozinha… - disse encaminhando-me logo para a cozinha, parando mal me passou pela cabeça que estava a dar muito nas vistas – Alguém quer algo? – perguntei
- Não, Brigada. – respondeu-me o David com o seu sorriso maravilhoso
- Ok. – disse regressando ao caminho antes traçado directo á cozinha
Entrei, e depois de abrir o frigorifico retirei de lá uma garrafa de agua e bebi dois goles… Aquilo andava-me a matar. Não podia deixar que um jogador de futebol me deixe assim…
Regressei á sala com a garrafa de água e mentalizada de que já estariam a começar a jogar… Algo que mal entrei na sala, confirmei com os meus próprios olhos que não se verificava, já que eles estavam os três sentados no sofá com a Leonor no meio do David e do Ruben, folheando algo… algo que conforme me fui aproximando verifiquei que era o álbum de fotos… Fotografias que á relativamente pouco tempo andei a ver, para tentar ‘matar saudades’ de casa, dos tempos que passaram, tempos em que era feliz, para me tentar abstrair de tudo e mandar pela porta fora, porta do meu coração… Fotografias de criança, com todas aquelas trapalhadas que as crianças fazem… Aquelas fotografias muito cómicas, mas que nos podem deixar em situações muito embaraçosas… Eles riam-se imenso…
- Leonor… Eu não acredito! – disse olhando-a
- Acredita pois, a menina andou a matar saudades da fotos…. E caiu no erro de não guardar o álbum num sítio seguro. – respondeu-me
- Oh, joaninha…. – Disse o Ruben agarrando-me nas bochechas e apertando-as
- Cê deve gostá mesmo de chocolate…
- Eu não acredito… Vocês não acreditem nela. Ninguém sabe quem é qual.
- Os pais disseram-me e não me iam mentir.
- Propositadamente não, mas involuntariamente é muito provável. Não te esqueças que eles passam a vida a trocar-nos…
- Nem me lembres… Mas eu ainda nem acredito é que a Filipa vai casar…
- Meninas importam-se? – disse o Ruben
Olhamos para ele e apanhando a Leonor numa distracção que proporcionou uma menor segurança ao álbum, roubei-lho…
- Vamos lá ver… Eu acho que houve uma menina que fez birra por causa do namorado…. – disse picando-a - AQUI ESTÁ… - disse mostrando a foto ao Ruben e ao David
- Oh, Leonor, não se preocupa não. Cê a chorar continua bonita…
- David não brinques… Aqui a minha irmã é que decidiu que o meu namorado era interessante para ela…
- Chorar por um garoto?!
- Sim. Sabes a Leonor nunca superou que ele me tivesse dado um flor quando namorava com ela…
- Eu era pequena... Uma criança.  – defendeu-se ela
- Oh, Joana, sempre a roubar os meninos todos…
- Eu não roubei nada. – disse defendendo-me
Fechei o álbum…
- Acabou! Vamos é jogar monopólio que o passado é passado e não é para se mexer… - proferi
- Eu vou buscar… - disse a Leonor levantando-se e desaparecendo voltando quase logo com a caixa do jogo
Estivemos horas a jogar, horas em que não pensei em mais nada, estávamos tão divertidos… E só quando perdi é que olhei para o relógio…
- Meninos… - disse apontando para o relógio - Liguem às mamãs porque já não regressam a casa para dormir esta noite.
- Não?! – disseram admirados
- Acham mesmo. Ficam cá… - disse a Leonor
- Não queremos dar trabalho. – despachou-se logo o Ruben
- Nem sonhem em fugir…
- Ok, eu durmo no sofá, também para o que fiz hoje no jogo mereço mesmo… - disse o David
- Eih, nada de dramatismos. Vocês jogaram muito bem. – disse a Leonor – e David ficas no quarto de hóspedes. Ruben tu ficas no meu quarto…
- Ui, que se passa por aí? – perguntei
- Nada. Simplesmente assim ninguém dorme no sofá… - respondeu-me seguindo para o quarto com o Ruben.
- POIS, POIS. – gritei.
Voltaram a deixar-nos sozinhos… Eu olhei para o David e ele parecia um pouco perturbado, levantou-se…
- Eu vou me deitar… - disse
- David… - chamei-o já quando ele ia a sair da sala…
- Sim?!
Aproximei-me dele e beijei-lhe a face…
‘ eu gostava muito que passasses a noite comigo, ao meu lado no colchão, abraçado a mim… sentia-me protegida… ‘ e passaria da rapariga normal a tarada.
- Boa noite… - disse, perdendo toda a coragem
- Boa noite. – respondeu beijando-me a testa
Seguiu o seu caminho e eu regressei ao meu quarto onde vesti o meu pijama, deitei-me e uma vontade enorme de lhe mandar uma mensagem invadiu-me.
‘ que ridículo, ele está no quarto ao lado’
Deitei-me disposta adormecer, mas ele não abandonava o meu pensamento. Andei e desandei naquela cama, mas não conseguia adormecer… Até que o cansaço começou a apoderar-se de mim…e em menos de nada estava quase a adormecer, quando sinto alguém a abrir a porta do meu quarto. Aquela silhueta delineada na parede evidenciou, e aqueceu o meu coração. Aquele cabelo era inconfundível… Ou serei apenas eu a fazer filmes?
Sentou-se na cama e tocou as minhas faces, fazendo-me pequenas festas, como se eu fosse um bebe... Abri os olhos…
- Jo… - interrompi-o


 Qual será a reacção da Joana? Irá ela continuar a lutar contra o que sente e mandá-lo embora?

*Esperemos que gostem 
                           Manas BC* 

sábado, 21 de janeiro de 2012

Capitulo 23 - O jogo


Narração da Joana:
 Depois de falar com a Leonor, depois de lhe ter contado tudo o que tinha acontecido e todos os medos que tenho em relação a tudo o que está a acontecer, e o que pode acontecer devido ao meu problema… Porque é que eu tem de ser assim? Porque é que me acontece tudo a mim? Tenho de ser assim?
Ficamos um pouco á conversa… A reviver as nossas aventuras, o passado, tudo o que nos aconteceu até agora, o quanto que a nossa vida mudou nestes últimos messes… E depois seguimos para o treino… A tarde passou a uma velocidade imensa, nem pensei mais no que tinha acontecido e a Leonor também não o voltou a mencionar, ela sabe que é complicado… Quando dei por ela, já eram quase horas de jantar… Ela ofereceu-se para fazer o jantar e nem me importei, voltei ao meu quarto, e voltei a pensar em tudo o que tinha acontecido e em tudo o que sentia… Como a minha cabeça está uma confusão… Fui para a cozinha, pus a mesa, jantamos e depois arrumamos tudo… A Leonor foi tomar um banho e fiquei a ver tv, ela avisou que iria sair, ainda peguei com ela, por ir sair com o Ruben, até faziam um lindo casal… Ela saiu e continuei a ver tv, comecei a ficar com sono e fui deitar-me, acabei por adormecer rapidamente…
De manhã acordei, tomei um banho e fui para a cozinha preparar o pequeno-almoço, quando a Leonor chegou…
- Bom dia. – disse-me ao entrar na cozinha
- Bom dia. Então a saída ontem, correu bem?
- Espero que não comeces. Ah, Domingo, almoço na casa da D. Anabela.
- O quê? – perguntei muito surpreendida
- Não ouviste?
- Ouvi, ouvi. É para conviveres mais com a futura sogra?
- Futura sogra? Bem, como tu andas, já não dizes coisa com coisa…
- Será?
- Vou tomar um banho, se não ainda dou em maluca a ouvir tantas parvoíces… - e saiu
 O dia passou rapidamente, fomos comprar os bilhetes para o jogo de Sábado com a Naval, passeamos, um dia normal…
Dois dias passaram e hoje é Sábado… Não voltamos a estar com o David ou o Ruben… E ainda bem, não sei muito bem como encarar esta situação toda, mas ao mesmo tempo já tenho muitas saudades dele… Mas hoje vou vê-lo, o que é bom para puder matar saudades, mas também possa ter de falar com ele, o que já não sei se é muito bom... A Leonor não conseguiu passar o dia sem mandar alguma boquinha, mas nada de mais, ela sabe como me estou a sentir… A hora do jogo aproximava-se, arranjamo-nos e saímos e direcção ao Estádio, que já estava um caos… Lá conseguimos entrar e sentamo-nos nos respectivos lugares…
Os jogadores entraram em campo… Os meus olhos prenderam naquele homem mal ele saiu daquele túnel e o avistei… Foi mais forte que eu, não consegui desviar o olhar por um segundo que fosse… Fizeram o aquecimento e voltaram a recolher…
- Se continuas assim até as pessoas que estão aqui vão perceber.
- Assim como? E, vão perceber o quê?
- Vão perceber que se passa algo entre ti e o nosso 23. Tens noção da maneira que estás a olhar para ele?
- Ah? Não faças filmes. E eu estava a ver o aquecimento de todos os jogadores.
- Claro…
Tinha noção de que a Leonor estava a dizer aquilo para me provocar… A conversa ficou por ali, até porque os jogadores voltaram a entrar e o meu olhar voltou a ficar preso e ele. Ao homem que já não conseguia deixar de olhar, que já não conseguia deixar de pensar, que me transmite uma paz e uma tranquilidade imensas quando está perto, que me faz sentir mais eu… Mas também sei que não posso gostar dele, eu não posso estar apaixonada por ele… Despertei dos meus pensamentos com um grande alvoroço no Estádio… E percebi porquê, quando olhei o relvado, vi o David no chão… O meu coração bateu ainda mais aceleradamente… Será que ele está bem?
- Não me digas que o árbitro não viu aquilo.
O jogo continuava, o que provocou ainda mais assobios e mais confusão… Mas o David continuava no chão, o Ruben estava a beira dele e por fim ele levantou-se… Só aí o meu coração acalmou…
- Calma maninha, já passou…
- Parva!
- Eu? Parvo é aquele árbitro que não vê nada…
- Parvo? Corno!
- Joana. Eu sei que é o David mas tem, lá calma contigo.
- Que nervos. E não é por causa do David.
Ela riu… A primeira parte acabou sem golos… Apesar de ser visto mais Benfica do que Naval não conseguimos um golo…
- Maninha, mais calma?
- Eu sempre estive calma.
- Tirando a parte em que te passas-te quando o David caiu e se pudesses tinhas batido no árbitro. Sempre estives-te calma.
- Vou buscar água. Até já.
- Até já.
Saí, comprei uma água e voltei para o meu lugar… Pouco tempo depois a segunda parte começou…
- Penalty? – disse-mos eu e a Leonor juntas
- Mas o homem não é bom da cabeça.
- Estamos a ser roubados…
- E não é pouco.
Os ânimos exaltaram-se, entre assobios e nomes que os adeptos chamavam ao árbitro… E o penalty foi marcado, terminando num golo… O resto do jogo, foi mais do mesmo… Um ou outro amarelo sem cabimento, algumas faltas por assinalar… Acabamos por perder o jogo muito injustamente, os adeptos sempre a contestarem, mas o que não levou a lado nenhum… O jogo terminou e os jogadores recolheram rapidamente ao balneário…
- Esperamos por eles?
- Para quê?
A verdade é que não sei se estou preparada para voltar a enfrentá-lo… Sei que vamos ter de falar sobre o que aconteceu…
- Sabes que se não falares com ele hoje terás de o fazer amanhã, ou já esqueces-te do jantar em casa da D. Anabela? Evitá-lo não te leva a lado nenhum.
Sim, ela conhece-me melhor que ninguém… Mas mesmo assim não dou o braço a torcer…
- Não estou a evitar nada. Além disso eles devem estar cansados, precisam de descansar e de certeza vão estar insuportáveis, por terem perdido…
- Ok. Vamos embora. – deu-se por vencida
Percebi que não ficou nem um pouco convencida com os meus argumentos e que apesar de serem válidos, também queria apoiá-lo, eu sei o quanto custa para eles perderem um jogo e assim de forma injusta pior… Foi mais forte do que eu…
- Mas também devem precisar de apoio. Vamos espera-los.
- Mudas-te de ideias?
- Eles acima de tudo são nossos amigos e tu sabes como eles ficam depois de perderem um jogo e de forma injusta pior ainda, por isso…
- Bora. – sorriu
Saímos e dirigimo-nos para junto do bar á entrada dos camarotes… Esperamos por eles, ainda um tempo considerável… Eles lá saíram, vinham cabisbaixos, o que era de esperar e se bem que os conheço devem começar a resmungar por tudo e por nada… Olhei-o, ele nem me olhou directamente, hoje não era de certeza um bom dia para conversar-mos…
- Olá. – disse quando eles chegaram á nossa beira
- O que estão aqui a fazer? – perguntou o Ruben
Eu e a Leonor olhamo-nos… Esperávamos tudo, menos isto…
- Nós… Nós pensamos que poderiam querer conversar, ou se calhar não, é melhor irmos andando. – respondeu a Leonor virando costas
- Não… - o Ruben amarrou-a - Obrigado por terem ficado.
- Desculpem. – disse o David mas olhando-me
Não consegui despregar-me daquele olhar…
- Tudo bem. – disse
A conversa ficou por ali, eles ainda foram a trocar algumas palavras sobre o jogo, mas não nos mete-mos…
- Vamos até nossa casa?
- Não somos muito boa companhia hoje, vamos levar-vos e vamos para casa.
- Vocês é que sabem, mas quando decidimos ficar já sabia-mos que vocês iam estar assim. Mas também devem estar cansados…
- Vá. Vamos. – disseram sorrindo
Saímos… Eu fui com o David, não sei como mas a Leonor e o Ruben arranjaram maneira de nos deixarem sozinhos naquele carro… Ele dirigiu até minha casa e durante esse caminho não proferiu uma única palavra, como se costuma dizer ‘entramos mudos e saímos calados’. Chegamos a casa e encontramo-nos com o Ruben e a Leonor…

*Esperemos que gostem...
                             Manas BC*

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Capitulo 22 - "Estás a atirar-te a mim?"



- Vamos jantar.

- Sim, muda de assunto.

Ela não e respondeu… Sentamo-nos á mesa e jantamos… No final arrumamos tudo rapidamente… Tomei um banho e vesti uma roupa simples, voltei á sala e a Joana estava a ver televisão…

- Bem, eu vou sair. Vou tomar um café com o Ruben.

- Ui, sozinhos?

- Não comeces.

- Tu e o Ruben sozinhos… - continuou a gozar

- Também podes vir se quiseres.

- Não… Vamos ver quem arranja namorado mais depressa. – riu

O meu telemóvel vibrou…

‘De: Ruben

Estou cá em baixo.

Beijo.’

- Eu nem te vou responder. Xau.

- Xau.

Desci, e ele estava no carro em frente ao prédio. Entrei…

- Olá. – cumprimentei-o com dois beijos

- Olá.

E arrancou…

Narração do Ruben:

Depois de sairmos da casa delas, o David dirigiu até casa da minha mãe e contou-me o que se tinha acontecido entre ele e a Joana… Ele gosta mesmo dela, percebi isso, mas a Joana, não é que não ache que ela está nba dele, porque acho, mas o problema dela e a maneira dela pensar sobre isso, são um impedimento para que aconteça algo… Só espero que ela mude de atitude, pelo seu bem, pela sua felicidade…

Chegamos a casa da minha mãe e ainda tive de atura-la, dizendo que nunca estávamos com ela, a verdade é que desde que conhecemos a Leonor e a Joana, passamos muito mais tempo com elas do que com outras pessoas… Mas são momentos sempre muito divertidos, sempre um tempo muito bem passado. Lá tentei explicar á minha mãe que teria de se habituar, mas, foi complicado, de casa dela fomos para o treino e depois do treino fui directo para casa… Estava a ver tv quando recebi uma mensagem da Leonor, a dizer que precisava de falar comigo, se dava para sair-mos depois de jantar, não lhe neguei a saída… Fui jantar, tomei um banho e dirigi até casa dela… Mas do pouco que já a conheço até fazia uma ideia do que ela me queria falar, tal como o David me contou a mim, a Joana deve ter-lhe contado a ela, penso eu… Cheguei a casa dela, mandei-lhe uma mensagem a avisar que já tinha chegado e ela desceu… Cumprimentou-me e agradeceu por ter vindo, decidi implicar com ela, e ela entrou na onda…

- Obrigado por teres vindo.

- Acho que estás muito desesperada para falar com alguém e como não te restava mais ninguém, tiveste de me chamar a mim. Foi isso?

- Foi. Acredita que se tivesse mais alguém para conversar, nunca te teria chamado a ti.

 - Encheram-se todos de te aturar… Como eu os compreendo… - fiz uma cara de tédio

- Não sei porque vieste. Ninguém te obrigou.

- Tenho pena…

- Não preciso que tenham pena de mim.

- Mas eu sou assim. Não iria conseguir dormir de noite, sabendo que precisas-te de falar e eu ignorei.

- Para a próxima não te digo nada.

- Tudo bem.

Já tínhamos chegado… Saí do carro e ele fez o mesmo…

- A propósito, tas muito gira.

- Agora estas a atirar-te a mim?

- Pode ser que resulte.

- Depois de me teres tratado mal. Não…

Entramos num bar calmo e sentamo-nos… Pedimos dois cafés…

- Então, que se passa?

- Oh, nada. Só queria mesmo chatear-te.

- Eu sabia... Sabes que já me chateias todos os dias. Não precisavas de chamar-me.

- Eu sei, eu sei…

- Passa-se alguma coisa com a Joana?

- Tens alguma queda pela Joana?

- Olha outra… Não… Somos só amigos! Mas porque é que perguntas isso?

- Porque perguntas-te logo se se passava alguma coisa com a Joana. Nem perguntas-te se se passava algo comigo.

- Tu estas óptima... Já deu para perceber.

- As aparências iludem… - disse ela seriamente

Fiquei assustado, pensei, que ela estava bem, parecia…

- Que se passa? Eu pensei que… - disse preocupado

Ela desmancha-se a rir…

- Não acredito… A gozar com a minha cara?

- Não… - ela voltou a adoptar uma postura mais séria - Mas é relacionado com a Joana que quero falar contigo.

- Mas está tudo bem com ela.

- Sim. Mas… Eu não sei se devia dizer-te, mas também és o melhor amigo do David por isso…

- O beijo? Sim, já sei.

- Ainda bem… Eu não sei em relação ao David, mas a minha irmã não é uma pessoa propriamente fácil em relação a isto, por isso…

- Deixa-me ver se adivinho… Por isso, decidis-te dar-lhes uma ajudinha…

- Também lês pensamentos?

- Faço um pouco de tudo… Sabes que ser jogador de futebol não dá nem para pagar os gastos com a casa. – sorri

Ela riu…

- Eu compreendo que não queiras interferir, afinal não temos nada a ver com isso.

- Conta comigo!

- A sério?

- Eu até disse ao David que eu e tu podíamos ajuda-lo a preparar uma surpresa para ela, mas ele não gostou muito da ideia. Também não sei se vão achar muita piada…

- Pois, eu também não. Mas não custa tentar. E faço qualquer coisa para ver a minha maninha feliz.

- Mas já pensas-te em algo certo?

- Uma noite romântica… - disse em tom provocador

- Uma noite romântica? Bem, podemos passar nós, uma noite romântica, pode ser que tenhas mais ideias…

- Bem, estas outra vez a atirar-te a mim?

- Não sei.

- A ideia é eu ir pa cama contigo?

- Talvez.

- Estou escandalizada. – disse ela com tom de arrogante

Desmanchamo-nos a rir…

- Vá lá, eu sei que de certeza tens uma ideia genial.

- Por acaso, não… - fiz uma pausa - É verdade, Domingo, almoço em casa dos meus pais.

- O quê?

- Almoço em casa dos meus pais.

- Porquê?

- Bem, digamos que a minha mãe já ouviu falar tanto de vocês que vos quer conhecer.

- Não sei se isso é bom, mas até nos pode ajudar.

- Ui… Não sei se vou gostar do que aí vem.

- Nada. Se vamos almoçar todos juntos, eles vão ter de estar próximos e tal. Depois podemos sempre dar uma ajudinha para que fiquem sozinhos… Tás a entrar na onda?

- Estou, estou a ver que a menina é muito marota.

- Nem tu sabes o quanto… - disse-o em tom provocador

- Não posso descobrir?

- Não!!

Rimos…

Ainda ficamos á conversa, a divertir-nos… Algum tempo depois, paguei e dirigi até ao apartamento dela… Despedimo-nos, ela subiu… Dirigi até casa e deitei-me… Só espero é que a Joana e o David não levem a mal a nossa ajudinha, também depois de se entenderem de vez, até nos vão agradecer… Acabei por adormecer…

   Esperemos que gostem....
                     Manas BC*

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Capitulo 21 - A conversa



No final do almoço, levantei a mesa, enquanto ela lavava a loiça… Fiquei a admira-la... A ama-la para mim… O ambiente continuava pesado, tentei alivia-lo um pouco e também não pensar muito no que se passou, como se fosse possível…
- Vocês têm a certeza que não querem ir ver o jogo nos camarotes? – perguntei
- Sim, David. Nós não nos íamos sentir nada bem. Mas obrigada por perguntarem. – respondeu-me olhando-me
Limitei-me a secar a loiça…           
- Quando a universidade começar já não vamos poder andar a fazer tanta jantarada… - comentei
- Pois, realmente. Mas deve sempre haver tempo para um serão com os nossos amigos jogadores de futebol.
- A gente, pode sempre visitar vocês na universidade…
- Surpresas não. – disse logo ela – Publicidade é que não, mesmo.
- Eih, vergonha dos seus amigos?
- Não, nenhuma, muito pelo contrário. Mas digamos que ser conhecida ou amiga de um jogador de futebol tem os seus senãos.
- Mas vocês também são atletas do Benfica.
- Mas achas que alguém liga ao volei? O futebol é muito mais mediático.
- Ok, já percebi. Teremos de nos limitar a marcar coisas pelo telemóvel.
- E não tens o nosso número?
- Tenho, claro. Mas é diferente.
- Teremos de viver assim.
Aquela resposta na minha cabeça teve 2 significados, ela estava a responder de forma a que desse também para a situação do beijo.
- Teremos de lutar contra todos os impedimentos. – disse referindo-me essencialmente ao beijo
Ela não me respondeu e depois de a cozinha estar arrumada, eu e o Ruben saímos pois a mãe dele queria falar com a gente.
Eu e o manz seguimos no meu carro e conduzi até casa da mãe dele.
Pelo caminho ainda tive de responder a algumas perguntas dele em relação á Joana. Não aguentei e contei-lhe do beijo.
- Não posso. Não acredito. Tu nem a conquistas, atacas logo. Por isso aquele silêncio todo durante o almoço. Já percebi tudo… - disse num jeito esclarecido
- Desculpe. Mas eu também não a queria ter beijado.
- Não querias?
- Que dizê, queria, mas… Também não quero afastá-la… Mas, aconteceu.
- Aconteceu e pela tua maneira de falar esse beijinho foi bem bom…
- Oh. Ela é muito querida e calma.
- Ai que o meu melhor amigo está apaixonado.
- Não me goze. Eu nem sei se ela está na minha…
- Não sabes? Cá para mim, sabes. E sabes é muito. Se precisares de ajuda a preparar alguma surpresa…
- Ela não gosta de surpresas… - disse ao relembrar o que ela disse na cozinha
- Com a ajuda da Leonor, preparamos uma que ela goste.
- Não sei… -respondi
- Imagina lá… um jantar sozinho com ela…
- Ruben esquece, ela nunca aceitaria. Vamo mas é ver o que a sua mãe quer.  – disse parando o carro e saindo.
Ele seguiu-me e depois de termos entrado em casa, a dona Anabela começou para lá a falar acerca de já não lhe ligarmos nenhuma, agora nunca fazemos nada com ela… o Ruben lá lhe tentou explicar que ela se iria ter de habituar… Ficamos lá até á hora do treino e depois seguimos para o treino. E durante todo o tempo em que estivemos a fazer ginásio, pensei em como a conquistar… mas nada me parecia a cara da Joana. Mas também não me sentia muito á vontade para falar com a Leonor, nem sei se a Joana lhe contou alguma coisa sobre o beijo, pode nem ter significado para ela… Que confusão…
Narração da Leonor:
Bem, o almoço foi estranho. Comecei a associar o David e a Joana que me pareciam estranhos e o almoço… Mas talvez fosse só impressão minha. Depois deles saírem fui para o quarto e pouco tempo depois a Joana bate á porta…
- Posso? – perguntou
- Não, tou nua…- disse com ironia – Claro que podes.
Ela entrou e sentou-se na cama…
- Podemos falar?
- Ui, que ela está mal, para quer falar comigo…
- Oh, já vi que não dá…
- Dá sim. Anda lá fala…
- Acho que estou apaixonada.
- O quê? Tu? Como? Quem?
- Não gozes… - pediu-me
- Não estou a gozar… conta lá essa história…
- Oh, é simples, eu sonhei com que ele, e beijávamo-nos. E cada vez que estou perto dele não me aguento… E hoje beijamo-nos… e não sei como é que isto acontece… - disse ela a uma velocidade estonteante, atropelando as palavras
- Ok. Repete tudo, mas mais devagar.
Ela falou e no final…
- Não me digas que estás apaixonada pelo Ruben…
- Não, estou a apaixonada pelo David. O que é bem pior.
- Pior? Então porquê? Ele está completamente na tua.
- Não está. Eu não posso. Não quero…
- Não podes? Não queres?
- Tu sabes que eu não posso.
- Podes… Mas se não queres, é outra história.
- Mas eu nem sei o que isto é, o que isto significa…
- Então, descobre… Parte á aventura, deixa de pensar em tudo ao pormenor, vive primeiro…
- É muito difícil…
- Não é… Acredita em ti, e no que sentes…
- Mas eu não sei ao certo o que sinto, eu nem sei o que ele sente por mim… Além disso, ele é jogador de futebol, tem dinheiro, está habituado a estar rodeado de pessoas como ele, o que sou eu?
- Descobres… E o que tem ele ter dinheiro, ter dessas pessoas como ele, ele á uma pessoa 5 estrelas e tudo isso. E nunca ouviste dizer que o dinheiro não compra a felicidade. – sorri - E se ele não sentisse nada por ti, não te beijava, ele não deve andar praí a beijar todas…
- É jogador de futebol, por isso…
- Ele não é assim…
- Mesmo que não seja. Pode ser apenas atracção, nada mais e vou magoar-me.
- Duvido! Ele olha para ti de maneira diferente.
- É que nem comeces a fazer filmes… Esquece.
- Desculpa.
Ficamos as duas no quarto, a falar sobre várias coisas, a ouvir musica, sem que tocássemos mais no assunto beijo, David, tinha noção de que ela não queria falar disso… Vimos o quanto a nossa vida mudou, recordamos o passado, peripécias que fazíamos, os bons momentos que passamos… E quando demos por ela já eram quase horas de jantar…
- Bem, a tarde passou tão rápido. – disse-me
- Vou fazer o jantar. – ofereci-me
- Á vontade. – sorriu
Levantei-me e fui para a cozinha, enquanto preparava o jantar, pensava em tudo o que ela me disse, em relação ao David...
Ok… Decididamente a minha maninha precisa de ajuda… Nada melhor do que fazer de cupido, para dar um empurrãozinho… Agora, como? Pensei e voltei a pensar… Mas, preciso de ajuda… E conheço a pessoa ideal para isso… Fui ao quarto, a Joana já lá não estava, peguei no telemóvel e mandei uma mensagem ao Ruben.
‘Para: Ruben
Olá. J
 Sim, sei que já deves estar farto de me aturar, mas preciso mesmo de uma ajudinha tua. Dá para sairmos no fim de jantar? Um café?
Beijinho. :P’
Voltei á cozinha e acabei de fazer o jantar, a Joana pôs a mesa, enquanto voltei ao quarto para ver se ele me tinha respondido… E verifiquei que tinha uma mensagem…
‘De: Ruben
Olá. :D
Por acaso, começo a fartar-me. Mas se precisas assim tão desesperadamente da minha ajuda, eu faço um sacrifício. Não gosto de virar as costas a ninguém. xD
Passo em tua casa às 9 e meia.
Beijinho. Até já.’
- É mesmo parvo. – sorri
- Já falas sozinha? Tens mesmo de arranjar um namorado.
- Não, não falo, sozinha. E quem está mais perto de arranjar um namorado é a menina, não eu…
Desculpem a demora...
   Esperamos que gostem...
                  Manas BC*