domingo, 5 de fevereiro de 2012

Capitulo 25 - O acordar (Parte I)




- Shiu… - coloquei o meu dedo indicador sobre os seus lábios – Não digas nada. – desviei-me um pouco - Fica comigo… - proferi sem pensar
Ele hesitou…
- Por favor…
Ele levantou a roupa e colocou-se ao meu lado, também deitado de lado…
Ficamos frente a frente… Ficamos a olhar-nos e depois de um reconhecimento mutuo… Ele fez uma pequena festa na minha face…
- Dorme bem princesa…
Aquelas palavras suaram como uma ordem para dormir descansada... Aproximei-me ainda mais dele, colei o meu corpo ao seu, ficando com a minha cabeça junto ao seu pescoço e peito e foi assim que adormeci… Junto do homem que me fazia sentir tão bem, tão segura… E esqueci tudo, esqueci que ele era o David Luiz, esqueci o meu problema, esqueci o mundo á minha volta e só existia eu e ele… apenas nós, que agora estávamos juntos, mesmo que não fosse por muito tempo, mesmo que aquilo não fosse acontecer mais, queria senti-lo nem que fosse por uma única noite. Ou o que restava dela… Na manhã seguinte acordei e levantei-me tentando não fazer barulho para não o acordar, tarefa essa, em que não fui nada bem sucedida…
Narração do David:
Depois daquele maldito jogo, onde depois de muito esforço a equipa não conseguiu obter os 3 pontos, apesar de ter feito um jogo quase perfeito. Faltaram os golos. Estava a ser confortado pela mulher da minha vida. Depois de todo o estratagema do Ruben ela lá veio comigo no carro onde não proferimos nenhuma palavra. Onde o silencio parecia ser a melhor conversa. E talvez assim tenha sido melhor. Ainda estava irritado com o jogo e podia não lhe responder da melhor maneira. E ela pareceu perceber isso mesmo, pois não puxou nenhuma conversa, como se percebesse que eu precisava daquele tempo em silêncio… Chegamos á porta do seu apartamento e a Leonor e o Ruben já estavam lá a nossa espera, a Leonor começou logo a picar e eu respondi-lhe torto. Depois de reflectir sobre o que tinha dito fiquei ainda mais descansado por a Joana não ter imposto nenhum tema, nenhuma conversa no carro.
Estávamos no elevador e aquelas palavras que ela proferiu entraram no meu coração, sem pedir licença. Invadiram o meu sangue e explodiram e não mais parei de olhar para ela…
Ela se levantou e foi á cozinha, lembrei que depois do que disse p’ra Leonor e sei que tinha sido mal educado, ainda não tinha pedido desculpa…
- Leonor, o que eu disse á pouco. Desculpa, eu não quis…
- Esquece, eu não devia ter dito nada. – sorriu – Eu não acredito!
- Que foi? – perguntou o Ruben
- Olhem quem está aqui. – pegou em algo de cima da pequena mesa que tinha ao centro, que depois percebi ser um álbum de fotografias quando ela o abriu – A nossa Joana. – riu e mostrou-nos uma foto
Uma foto da Joana toda lambuzada de chocolate e uma cara de anjo, mas muito cómica, percebi como ela sempre foi perfeita… Magnifica mesmo em circunstancias muito estranhas…
Jogamos ao monopólio, estivemos horas naquilo, deu para esquecer o que tinha acontecido, aquele jogo e quando ela perdeu, sendo eu a cobrar-lhe o seu ultimo dinheiro… Pensei que talvez a pudesse ter ignorado… Ela nos disse que horas eram e aí eu fiquei pensando que a iria abandonar…
Mas depois de elas dizerem para ficarmos, acabamos por aceitar, o Ruben foi para o mesmo quarto que a Leonor… E uma sensação estranha me invadiu, queria tanto que ela me pedisse para ficar com ela, naquela noite, eu queria ficar com ela sempre, mas nem que só pudesse ser por uma noite, já me chegava. Ela nada disse, decidi então ir para o quarto que seria meu por aquela noite. E assim ver um sonho adiado, o sonho de adormecer com ela nos meus abraços, e acordar com ela do meu lado…
Entrei no quarto e depois daquela cama ser testemunha nas minha tentativas de adormecer… Percebi que ela não me saia da cabeça… Levantei-me muito devagar e sorrateiramente entrei no quarto dela… Sentei-me a toquei-lhe levemente e quando a vi a mexer tentei falar, desculpar-me por estar ali, algo que não cheguei a fazer pois ela interrompeu-me…
- Fica comigo!
Aquelas palavras saídas da boca dela. Formaram várias sensações estranhas, como tantas outras que já tinha sentido junto daquela mulher… Simplesmente pedi para mim mesmo que se fosse um sonho me despertassem rapidamente, para que depois não fique com ideias…
Como fiquei calado, ela voltou a pronunciar-se…
- Por favor.
Não estava a sonhar? Ela estava mesmo a pedir-me para ficar com ela?
Deitei-me então junto dela e depois de nos olhar-mos intensamente e de lhe ter feito uma leve festa no rosto, ela encostou-se ainda mais a mim e acabou por adormecer…
- Como te amo miúda… Já não me sais da cabeça… - disse mexendo-lhe nos cabeços
Rendi-me ao cansaço e adormeci… Na manhã seguinte, acordei com ela a tentar levantar-se muito lenta e cuidadosamente, talvez para não me acordar. Ela estava já de pé e de costas a dirigir-se para a porta do quarto…
- Joana! – chamei-a
Ela voltou-se para mim…
- Diz?
- A gente precisa falar.
Precisava mesmo de falar com ela, tentar perceber o que está acontecendo, o beijo, esta noite…
 - O que se passa?
- P´ra começá, o beijo, eu sei que cê disse pa gente esquecer, mas eu não consigo porque… - ela aproximou-se de e mim rapidamente e beijou-me
Beijo que aproveitei ao máximo, um beijo calmo, mais cheio de sentimento e eu senti que não foi só da minha parte…
Terminamos o beijo e ela pregou o olhar no chão… Afastou-se…
- Desculpa. Nós não podemos.
- Porquê?
- Porque não, David, nós somos de mundos diferentes, não temos nada a ver.
- Cê vai dizer que o beijo não significou nada p´ra você? Me beijou porquê? – ela continuava cabisbaixa, sem dizer uma palavra – Me diz que este beijo não significou nada p’ra você… - aproximei-me dela
- Não me faças isto. - pediu
- Me olha nos olhos e me diz. – coloquei a minha mão no seu queixo e elevei a sua cabeça, fazendo-a olhar-me – Diz que não significou nada.
- Pára David. – saiu do quarto a correr e eu segui-a
Narração do Ruben:
Depois de ter-mos estado a jogar na sala e como já era muito tarde, elas insistiram para que ficasse-mos lá a dormir… Ainda contestei, mas acabaram por levar elas a melhor e fiquei totalmente surpreendido quando a Leonor disse que eu ficaria no quarto dela… Esta mesmo a escapar-me algo… Seguimos para o quarto dela…
- Eu sei que queres que o David e a Joana se entendam mas eu não precisava de ter vindo dormir para o teu quarto.
- Porque não? Não queres, é? Achas que ficas assim tão mal acompanhado?
- Não, mas…
- Mas nada. E assim ninguém precisa de dormir no sofá. – sorriu e retribui-lhe. - Será que é desta que eles se vão entender?
- Não sei, mas bem que já não era sem tempo. Eles gostam mesmo um do outro.
- Pois. Mas também são assim, um bocadinho para o teimoso.
- Põe bocadinho nisso.
- Eu queria tanto que a Joana voltasse a sorrir com á muito não faz. E ela consegue fazê-lo quando esta junto do David, imagino se estivesse com ele…
Quando ela disse que gostava que a Joana volta-se a sorrir como á muito não faz, presumi que estivesse a referir-se á doença dela e quão triste ele ficou desde que descobriu…
- Eles vão entender-se, só tens de ter paciência.
- Eu tenho, mas quero mesmo que ela seja feliz e acredito que essa felicidade está do lado do David.
- Eu também…
Ela sorriu-me…
- Vou vestir o pijama já volto. Pode ir-te deitando.
- Eu vou dormir na tua cama? Contigo?
Ela estava mesmo bem?
- Claro, querias dormir onde?
- No chão!? – disse um pouco confuso
- Oh, não sejas parvo, a não ser que tenhas algum problema em dormir comigo!
- Não, é que… - interrompeu-me
- Então, já volto. – sorriu e saiu
Eu tirei a roupa e ditei-me… Ela voltou pouco tempo depois. Com uns mini calções e um tope.
- Ok, eu sei que até já te vi de bikini, mas…
- É giro, néh? – disse olhando-se de alto a baixo
- Põe giro nisso… Estás a provocar-me?
- Está a resultar?
- Não!
Não estaria mesmo? A verdade é que me sentia estranho no mínimo, mas nada que não se resolvesse com uma boa noite de sono.
 - Oh, então está bem. – puxou os lençóis e deitou-se
- Tens mesmo a certeza que queres que eu durma aqui, na tua cama?
- Ai Ruben és tu que és muito antiquado ou sou eu que sou muito moderna? – virou-se de lado, frente-a-frente comigo – Somos amigos, qual é o mal? Além disso, tu não vais fazer nada comigo, pois não?
- Leo… Até me ofendes.
Ela riu… - Tava a brincar.
- Acho bem.
- Até vou dormir mais quentinha hoje e tudo. – chegou-se para junto de mim
- Como se estivesse muito frio. – disse ironicamente 
- Não, mas sabe sempre bem. – sorriu
- Bem cá piolha. – envolvia nos meus braços
Ela é de facto uma grande amiga e muito querida e linda… Ela é de facto linda, como é que só agora me apercebi do quão fantástica ela é?
- Que bom! – riu como uma criança
Assim acabamos por adormecer… Juntos, abraçados, afinal somos bons amigos, qual é o mal?
Na manhã seguinte acordei e ela ainda dormia, olhei-a, estava serena, dormia tão tranquilamente que não consegui acordá-la, fiquei a olha-la uns segundos e depois tentei sair da cama sem a acordar mas como ela estava com a cabeça sobre o meu tronco era complicado… E não consegui… Ela abriu lentamente os olhos e olhou-me…

*Esperemos que gostem 
                           Manas BC*

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Capitulo 24 - Eu não acredito!




- Então, já consolas-te o menino? – disse a Leonor
- Não me enche o saco. – disse o David
- É melhor subirmos. Que isto já está animado.
Depois de ele ter dito aquilo percebi o quanto esta derrota mexeu com ele, o quanto ele sofre com o clube… Abri a porta e subimos…
- Ao perder pelo menos que perdesse-mos justamente.
- A ser roubados deste jeito… Não dá mesmo.
- Vocês dão a volta. Desta correu mal, para a próxima corre melhor. – disse a Leonor
- É por isso que dá muito mais gosto, ganhar em cada jogo, em cada campeonato, para poderem mostrar do que são feitos os benfiquistas, que por muito que roubem que ganhem injustamente, damos a volta por cima, para esfregar-mos cada vitória na cara de quem nos rouba ou roubou… - acabei por dizer
Eles ficaram os três a olhar-me…
- Que foi?
- Lindas palavras. – disse o David
Corei…
 O elevador parou… Entramos em casa e sentamo-nos no sofá…
- Então o que é que vamos fazer? – perguntei
- Ver televisão… - disse a Leonor.
Liguei a televisão e em todos canais por onde passava falavam ou comentavam o desfecho do jogo que tinha tudo para que o Benfica ganhasse. Mas isso foi algo que não aconteceu.
- Bem, mais alguma ideia? – disse desligando a televisão
- Não. – responderam eles
- Jogadores de futebol precisam de saber gerir… que me dizem a uma partida de monopólio? – disse prontamente a Leonor
- Sempre deve dar para passar umas horas entretidos. – comentou o Ruben
Eu olhei para o David e ele estava a olhar-me… Fugi daquele olhar sincero, simples, seguro e esverdeado…
- Eu estou com sede, vou á cozinha… - disse encaminhando-me logo para a cozinha, parando mal me passou pela cabeça que estava a dar muito nas vistas – Alguém quer algo? – perguntei
- Não, Brigada. – respondeu-me o David com o seu sorriso maravilhoso
- Ok. – disse regressando ao caminho antes traçado directo á cozinha
Entrei, e depois de abrir o frigorifico retirei de lá uma garrafa de agua e bebi dois goles… Aquilo andava-me a matar. Não podia deixar que um jogador de futebol me deixe assim…
Regressei á sala com a garrafa de água e mentalizada de que já estariam a começar a jogar… Algo que mal entrei na sala, confirmei com os meus próprios olhos que não se verificava, já que eles estavam os três sentados no sofá com a Leonor no meio do David e do Ruben, folheando algo… algo que conforme me fui aproximando verifiquei que era o álbum de fotos… Fotografias que á relativamente pouco tempo andei a ver, para tentar ‘matar saudades’ de casa, dos tempos que passaram, tempos em que era feliz, para me tentar abstrair de tudo e mandar pela porta fora, porta do meu coração… Fotografias de criança, com todas aquelas trapalhadas que as crianças fazem… Aquelas fotografias muito cómicas, mas que nos podem deixar em situações muito embaraçosas… Eles riam-se imenso…
- Leonor… Eu não acredito! – disse olhando-a
- Acredita pois, a menina andou a matar saudades da fotos…. E caiu no erro de não guardar o álbum num sítio seguro. – respondeu-me
- Oh, joaninha…. – Disse o Ruben agarrando-me nas bochechas e apertando-as
- Cê deve gostá mesmo de chocolate…
- Eu não acredito… Vocês não acreditem nela. Ninguém sabe quem é qual.
- Os pais disseram-me e não me iam mentir.
- Propositadamente não, mas involuntariamente é muito provável. Não te esqueças que eles passam a vida a trocar-nos…
- Nem me lembres… Mas eu ainda nem acredito é que a Filipa vai casar…
- Meninas importam-se? – disse o Ruben
Olhamos para ele e apanhando a Leonor numa distracção que proporcionou uma menor segurança ao álbum, roubei-lho…
- Vamos lá ver… Eu acho que houve uma menina que fez birra por causa do namorado…. – disse picando-a - AQUI ESTÁ… - disse mostrando a foto ao Ruben e ao David
- Oh, Leonor, não se preocupa não. Cê a chorar continua bonita…
- David não brinques… Aqui a minha irmã é que decidiu que o meu namorado era interessante para ela…
- Chorar por um garoto?!
- Sim. Sabes a Leonor nunca superou que ele me tivesse dado um flor quando namorava com ela…
- Eu era pequena... Uma criança.  – defendeu-se ela
- Oh, Joana, sempre a roubar os meninos todos…
- Eu não roubei nada. – disse defendendo-me
Fechei o álbum…
- Acabou! Vamos é jogar monopólio que o passado é passado e não é para se mexer… - proferi
- Eu vou buscar… - disse a Leonor levantando-se e desaparecendo voltando quase logo com a caixa do jogo
Estivemos horas a jogar, horas em que não pensei em mais nada, estávamos tão divertidos… E só quando perdi é que olhei para o relógio…
- Meninos… - disse apontando para o relógio - Liguem às mamãs porque já não regressam a casa para dormir esta noite.
- Não?! – disseram admirados
- Acham mesmo. Ficam cá… - disse a Leonor
- Não queremos dar trabalho. – despachou-se logo o Ruben
- Nem sonhem em fugir…
- Ok, eu durmo no sofá, também para o que fiz hoje no jogo mereço mesmo… - disse o David
- Eih, nada de dramatismos. Vocês jogaram muito bem. – disse a Leonor – e David ficas no quarto de hóspedes. Ruben tu ficas no meu quarto…
- Ui, que se passa por aí? – perguntei
- Nada. Simplesmente assim ninguém dorme no sofá… - respondeu-me seguindo para o quarto com o Ruben.
- POIS, POIS. – gritei.
Voltaram a deixar-nos sozinhos… Eu olhei para o David e ele parecia um pouco perturbado, levantou-se…
- Eu vou me deitar… - disse
- David… - chamei-o já quando ele ia a sair da sala…
- Sim?!
Aproximei-me dele e beijei-lhe a face…
‘ eu gostava muito que passasses a noite comigo, ao meu lado no colchão, abraçado a mim… sentia-me protegida… ‘ e passaria da rapariga normal a tarada.
- Boa noite… - disse, perdendo toda a coragem
- Boa noite. – respondeu beijando-me a testa
Seguiu o seu caminho e eu regressei ao meu quarto onde vesti o meu pijama, deitei-me e uma vontade enorme de lhe mandar uma mensagem invadiu-me.
‘ que ridículo, ele está no quarto ao lado’
Deitei-me disposta adormecer, mas ele não abandonava o meu pensamento. Andei e desandei naquela cama, mas não conseguia adormecer… Até que o cansaço começou a apoderar-se de mim…e em menos de nada estava quase a adormecer, quando sinto alguém a abrir a porta do meu quarto. Aquela silhueta delineada na parede evidenciou, e aqueceu o meu coração. Aquele cabelo era inconfundível… Ou serei apenas eu a fazer filmes?
Sentou-se na cama e tocou as minhas faces, fazendo-me pequenas festas, como se eu fosse um bebe... Abri os olhos…
- Jo… - interrompi-o


 Qual será a reacção da Joana? Irá ela continuar a lutar contra o que sente e mandá-lo embora?

*Esperemos que gostem 
                           Manas BC* 

sábado, 21 de janeiro de 2012

Capitulo 23 - O jogo


Narração da Joana:
 Depois de falar com a Leonor, depois de lhe ter contado tudo o que tinha acontecido e todos os medos que tenho em relação a tudo o que está a acontecer, e o que pode acontecer devido ao meu problema… Porque é que eu tem de ser assim? Porque é que me acontece tudo a mim? Tenho de ser assim?
Ficamos um pouco á conversa… A reviver as nossas aventuras, o passado, tudo o que nos aconteceu até agora, o quanto que a nossa vida mudou nestes últimos messes… E depois seguimos para o treino… A tarde passou a uma velocidade imensa, nem pensei mais no que tinha acontecido e a Leonor também não o voltou a mencionar, ela sabe que é complicado… Quando dei por ela, já eram quase horas de jantar… Ela ofereceu-se para fazer o jantar e nem me importei, voltei ao meu quarto, e voltei a pensar em tudo o que tinha acontecido e em tudo o que sentia… Como a minha cabeça está uma confusão… Fui para a cozinha, pus a mesa, jantamos e depois arrumamos tudo… A Leonor foi tomar um banho e fiquei a ver tv, ela avisou que iria sair, ainda peguei com ela, por ir sair com o Ruben, até faziam um lindo casal… Ela saiu e continuei a ver tv, comecei a ficar com sono e fui deitar-me, acabei por adormecer rapidamente…
De manhã acordei, tomei um banho e fui para a cozinha preparar o pequeno-almoço, quando a Leonor chegou…
- Bom dia. – disse-me ao entrar na cozinha
- Bom dia. Então a saída ontem, correu bem?
- Espero que não comeces. Ah, Domingo, almoço na casa da D. Anabela.
- O quê? – perguntei muito surpreendida
- Não ouviste?
- Ouvi, ouvi. É para conviveres mais com a futura sogra?
- Futura sogra? Bem, como tu andas, já não dizes coisa com coisa…
- Será?
- Vou tomar um banho, se não ainda dou em maluca a ouvir tantas parvoíces… - e saiu
 O dia passou rapidamente, fomos comprar os bilhetes para o jogo de Sábado com a Naval, passeamos, um dia normal…
Dois dias passaram e hoje é Sábado… Não voltamos a estar com o David ou o Ruben… E ainda bem, não sei muito bem como encarar esta situação toda, mas ao mesmo tempo já tenho muitas saudades dele… Mas hoje vou vê-lo, o que é bom para puder matar saudades, mas também possa ter de falar com ele, o que já não sei se é muito bom... A Leonor não conseguiu passar o dia sem mandar alguma boquinha, mas nada de mais, ela sabe como me estou a sentir… A hora do jogo aproximava-se, arranjamo-nos e saímos e direcção ao Estádio, que já estava um caos… Lá conseguimos entrar e sentamo-nos nos respectivos lugares…
Os jogadores entraram em campo… Os meus olhos prenderam naquele homem mal ele saiu daquele túnel e o avistei… Foi mais forte que eu, não consegui desviar o olhar por um segundo que fosse… Fizeram o aquecimento e voltaram a recolher…
- Se continuas assim até as pessoas que estão aqui vão perceber.
- Assim como? E, vão perceber o quê?
- Vão perceber que se passa algo entre ti e o nosso 23. Tens noção da maneira que estás a olhar para ele?
- Ah? Não faças filmes. E eu estava a ver o aquecimento de todos os jogadores.
- Claro…
Tinha noção de que a Leonor estava a dizer aquilo para me provocar… A conversa ficou por ali, até porque os jogadores voltaram a entrar e o meu olhar voltou a ficar preso e ele. Ao homem que já não conseguia deixar de olhar, que já não conseguia deixar de pensar, que me transmite uma paz e uma tranquilidade imensas quando está perto, que me faz sentir mais eu… Mas também sei que não posso gostar dele, eu não posso estar apaixonada por ele… Despertei dos meus pensamentos com um grande alvoroço no Estádio… E percebi porquê, quando olhei o relvado, vi o David no chão… O meu coração bateu ainda mais aceleradamente… Será que ele está bem?
- Não me digas que o árbitro não viu aquilo.
O jogo continuava, o que provocou ainda mais assobios e mais confusão… Mas o David continuava no chão, o Ruben estava a beira dele e por fim ele levantou-se… Só aí o meu coração acalmou…
- Calma maninha, já passou…
- Parva!
- Eu? Parvo é aquele árbitro que não vê nada…
- Parvo? Corno!
- Joana. Eu sei que é o David mas tem, lá calma contigo.
- Que nervos. E não é por causa do David.
Ela riu… A primeira parte acabou sem golos… Apesar de ser visto mais Benfica do que Naval não conseguimos um golo…
- Maninha, mais calma?
- Eu sempre estive calma.
- Tirando a parte em que te passas-te quando o David caiu e se pudesses tinhas batido no árbitro. Sempre estives-te calma.
- Vou buscar água. Até já.
- Até já.
Saí, comprei uma água e voltei para o meu lugar… Pouco tempo depois a segunda parte começou…
- Penalty? – disse-mos eu e a Leonor juntas
- Mas o homem não é bom da cabeça.
- Estamos a ser roubados…
- E não é pouco.
Os ânimos exaltaram-se, entre assobios e nomes que os adeptos chamavam ao árbitro… E o penalty foi marcado, terminando num golo… O resto do jogo, foi mais do mesmo… Um ou outro amarelo sem cabimento, algumas faltas por assinalar… Acabamos por perder o jogo muito injustamente, os adeptos sempre a contestarem, mas o que não levou a lado nenhum… O jogo terminou e os jogadores recolheram rapidamente ao balneário…
- Esperamos por eles?
- Para quê?
A verdade é que não sei se estou preparada para voltar a enfrentá-lo… Sei que vamos ter de falar sobre o que aconteceu…
- Sabes que se não falares com ele hoje terás de o fazer amanhã, ou já esqueces-te do jantar em casa da D. Anabela? Evitá-lo não te leva a lado nenhum.
Sim, ela conhece-me melhor que ninguém… Mas mesmo assim não dou o braço a torcer…
- Não estou a evitar nada. Além disso eles devem estar cansados, precisam de descansar e de certeza vão estar insuportáveis, por terem perdido…
- Ok. Vamos embora. – deu-se por vencida
Percebi que não ficou nem um pouco convencida com os meus argumentos e que apesar de serem válidos, também queria apoiá-lo, eu sei o quanto custa para eles perderem um jogo e assim de forma injusta pior… Foi mais forte do que eu…
- Mas também devem precisar de apoio. Vamos espera-los.
- Mudas-te de ideias?
- Eles acima de tudo são nossos amigos e tu sabes como eles ficam depois de perderem um jogo e de forma injusta pior ainda, por isso…
- Bora. – sorriu
Saímos e dirigimo-nos para junto do bar á entrada dos camarotes… Esperamos por eles, ainda um tempo considerável… Eles lá saíram, vinham cabisbaixos, o que era de esperar e se bem que os conheço devem começar a resmungar por tudo e por nada… Olhei-o, ele nem me olhou directamente, hoje não era de certeza um bom dia para conversar-mos…
- Olá. – disse quando eles chegaram á nossa beira
- O que estão aqui a fazer? – perguntou o Ruben
Eu e a Leonor olhamo-nos… Esperávamos tudo, menos isto…
- Nós… Nós pensamos que poderiam querer conversar, ou se calhar não, é melhor irmos andando. – respondeu a Leonor virando costas
- Não… - o Ruben amarrou-a - Obrigado por terem ficado.
- Desculpem. – disse o David mas olhando-me
Não consegui despregar-me daquele olhar…
- Tudo bem. – disse
A conversa ficou por ali, eles ainda foram a trocar algumas palavras sobre o jogo, mas não nos mete-mos…
- Vamos até nossa casa?
- Não somos muito boa companhia hoje, vamos levar-vos e vamos para casa.
- Vocês é que sabem, mas quando decidimos ficar já sabia-mos que vocês iam estar assim. Mas também devem estar cansados…
- Vá. Vamos. – disseram sorrindo
Saímos… Eu fui com o David, não sei como mas a Leonor e o Ruben arranjaram maneira de nos deixarem sozinhos naquele carro… Ele dirigiu até minha casa e durante esse caminho não proferiu uma única palavra, como se costuma dizer ‘entramos mudos e saímos calados’. Chegamos a casa e encontramo-nos com o Ruben e a Leonor…

*Esperemos que gostem...
                             Manas BC*

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Capitulo 22 - "Estás a atirar-te a mim?"



- Vamos jantar.

- Sim, muda de assunto.

Ela não e respondeu… Sentamo-nos á mesa e jantamos… No final arrumamos tudo rapidamente… Tomei um banho e vesti uma roupa simples, voltei á sala e a Joana estava a ver televisão…

- Bem, eu vou sair. Vou tomar um café com o Ruben.

- Ui, sozinhos?

- Não comeces.

- Tu e o Ruben sozinhos… - continuou a gozar

- Também podes vir se quiseres.

- Não… Vamos ver quem arranja namorado mais depressa. – riu

O meu telemóvel vibrou…

‘De: Ruben

Estou cá em baixo.

Beijo.’

- Eu nem te vou responder. Xau.

- Xau.

Desci, e ele estava no carro em frente ao prédio. Entrei…

- Olá. – cumprimentei-o com dois beijos

- Olá.

E arrancou…

Narração do Ruben:

Depois de sairmos da casa delas, o David dirigiu até casa da minha mãe e contou-me o que se tinha acontecido entre ele e a Joana… Ele gosta mesmo dela, percebi isso, mas a Joana, não é que não ache que ela está nba dele, porque acho, mas o problema dela e a maneira dela pensar sobre isso, são um impedimento para que aconteça algo… Só espero que ela mude de atitude, pelo seu bem, pela sua felicidade…

Chegamos a casa da minha mãe e ainda tive de atura-la, dizendo que nunca estávamos com ela, a verdade é que desde que conhecemos a Leonor e a Joana, passamos muito mais tempo com elas do que com outras pessoas… Mas são momentos sempre muito divertidos, sempre um tempo muito bem passado. Lá tentei explicar á minha mãe que teria de se habituar, mas, foi complicado, de casa dela fomos para o treino e depois do treino fui directo para casa… Estava a ver tv quando recebi uma mensagem da Leonor, a dizer que precisava de falar comigo, se dava para sair-mos depois de jantar, não lhe neguei a saída… Fui jantar, tomei um banho e dirigi até casa dela… Mas do pouco que já a conheço até fazia uma ideia do que ela me queria falar, tal como o David me contou a mim, a Joana deve ter-lhe contado a ela, penso eu… Cheguei a casa dela, mandei-lhe uma mensagem a avisar que já tinha chegado e ela desceu… Cumprimentou-me e agradeceu por ter vindo, decidi implicar com ela, e ela entrou na onda…

- Obrigado por teres vindo.

- Acho que estás muito desesperada para falar com alguém e como não te restava mais ninguém, tiveste de me chamar a mim. Foi isso?

- Foi. Acredita que se tivesse mais alguém para conversar, nunca te teria chamado a ti.

 - Encheram-se todos de te aturar… Como eu os compreendo… - fiz uma cara de tédio

- Não sei porque vieste. Ninguém te obrigou.

- Tenho pena…

- Não preciso que tenham pena de mim.

- Mas eu sou assim. Não iria conseguir dormir de noite, sabendo que precisas-te de falar e eu ignorei.

- Para a próxima não te digo nada.

- Tudo bem.

Já tínhamos chegado… Saí do carro e ele fez o mesmo…

- A propósito, tas muito gira.

- Agora estas a atirar-te a mim?

- Pode ser que resulte.

- Depois de me teres tratado mal. Não…

Entramos num bar calmo e sentamo-nos… Pedimos dois cafés…

- Então, que se passa?

- Oh, nada. Só queria mesmo chatear-te.

- Eu sabia... Sabes que já me chateias todos os dias. Não precisavas de chamar-me.

- Eu sei, eu sei…

- Passa-se alguma coisa com a Joana?

- Tens alguma queda pela Joana?

- Olha outra… Não… Somos só amigos! Mas porque é que perguntas isso?

- Porque perguntas-te logo se se passava alguma coisa com a Joana. Nem perguntas-te se se passava algo comigo.

- Tu estas óptima... Já deu para perceber.

- As aparências iludem… - disse ela seriamente

Fiquei assustado, pensei, que ela estava bem, parecia…

- Que se passa? Eu pensei que… - disse preocupado

Ela desmancha-se a rir…

- Não acredito… A gozar com a minha cara?

- Não… - ela voltou a adoptar uma postura mais séria - Mas é relacionado com a Joana que quero falar contigo.

- Mas está tudo bem com ela.

- Sim. Mas… Eu não sei se devia dizer-te, mas também és o melhor amigo do David por isso…

- O beijo? Sim, já sei.

- Ainda bem… Eu não sei em relação ao David, mas a minha irmã não é uma pessoa propriamente fácil em relação a isto, por isso…

- Deixa-me ver se adivinho… Por isso, decidis-te dar-lhes uma ajudinha…

- Também lês pensamentos?

- Faço um pouco de tudo… Sabes que ser jogador de futebol não dá nem para pagar os gastos com a casa. – sorri

Ela riu…

- Eu compreendo que não queiras interferir, afinal não temos nada a ver com isso.

- Conta comigo!

- A sério?

- Eu até disse ao David que eu e tu podíamos ajuda-lo a preparar uma surpresa para ela, mas ele não gostou muito da ideia. Também não sei se vão achar muita piada…

- Pois, eu também não. Mas não custa tentar. E faço qualquer coisa para ver a minha maninha feliz.

- Mas já pensas-te em algo certo?

- Uma noite romântica… - disse em tom provocador

- Uma noite romântica? Bem, podemos passar nós, uma noite romântica, pode ser que tenhas mais ideias…

- Bem, estas outra vez a atirar-te a mim?

- Não sei.

- A ideia é eu ir pa cama contigo?

- Talvez.

- Estou escandalizada. – disse ela com tom de arrogante

Desmanchamo-nos a rir…

- Vá lá, eu sei que de certeza tens uma ideia genial.

- Por acaso, não… - fiz uma pausa - É verdade, Domingo, almoço em casa dos meus pais.

- O quê?

- Almoço em casa dos meus pais.

- Porquê?

- Bem, digamos que a minha mãe já ouviu falar tanto de vocês que vos quer conhecer.

- Não sei se isso é bom, mas até nos pode ajudar.

- Ui… Não sei se vou gostar do que aí vem.

- Nada. Se vamos almoçar todos juntos, eles vão ter de estar próximos e tal. Depois podemos sempre dar uma ajudinha para que fiquem sozinhos… Tás a entrar na onda?

- Estou, estou a ver que a menina é muito marota.

- Nem tu sabes o quanto… - disse-o em tom provocador

- Não posso descobrir?

- Não!!

Rimos…

Ainda ficamos á conversa, a divertir-nos… Algum tempo depois, paguei e dirigi até ao apartamento dela… Despedimo-nos, ela subiu… Dirigi até casa e deitei-me… Só espero é que a Joana e o David não levem a mal a nossa ajudinha, também depois de se entenderem de vez, até nos vão agradecer… Acabei por adormecer…

   Esperemos que gostem....
                     Manas BC*