domingo, 4 de março de 2012

Capitulo 30 - O almoço





Narração do Ruben:

 Chegamos a casa dos meus pais e depois das apresentações, estivemos á conversa… Uma conversa normal, lembrei-me então da Leonor e do que tinha acontecido hoje de manhã. Eu não devia tê-la tratado assim, ela estava de certeza chateada comigo e com razão. Afinal ela só estava a tentar ajudá-los…

Estávamos á conversa na sala, quando a campainha tocou e fui abrir. Eram o David e a Leonor. Eles entraram e pedi desculpa á Leonor pelo que tinha dito, desculpas que ela por fim aceitou e ainda demos um daqueles abraço mesmo á crianças…

Ela entrou, vi que era o Mauro que me estava a ligar aprecei-me a atender…

- Mauro!

- ‘ Olá mano, é só para avisar que sou capaz de chegar um bocadinho atrasado ao almoço. Desculpa.’

- Tudo bem. Não faz mal. Até já.

- ‘Até já.’

Segui para a cozinha onde eles estavam a conversar com a minha mãe, tentei parecer sempre animado e depois da minha mãe ter negado a oferta delas para a ajudarem seguimos par a sala…

Sentamo-nos no sofá… Ia conversando com a Leonor, eles não se pronunciavam…

- Estão muito calados.

- Não temo nada pa dize manz. – respondeu-me o David cabisbaixo

- Agora, vocês podem ter. – insinuou a Joana

- Outra vez isso? – dissemos eu e a Leonor ao mesmo tempo

E por fim, eles sorriram…

- Já combinam e tudo.

- Cês não tão mesmo escondendo nada pa gente?

- Não. – respondeu a Leonor

E nesse momento a porta de casa abre-se… Era o meu pai.

- Bom dia. – disse sorrindo

- Bom dia. – respondemos

- Muito bem acompanhados os meninos.

Olhei-as e elas coraram…

- Eu sou o Virgílio, pai desta peste.

- São a Joana. – apontei e ele cumprimentou-a com dois beijos – E a Leonor. – fez o mesmo e cumprimentou também o David

- Acho que vai ser um bocado difícil saber quem é quem, mas…

- Não faz mal. Já estamos habituadas. – respondeu a Joana.

- Sim, não se preocupe.

- Então que se passa contigo David? Estás muito estranho rapaz.

O meu pai percebeu… Também não era difícil. O David que sempre foi animado por si só, estava cabisbaixo…

- Nada não. É só cansaço, dormi mal essa noite.

Deu uma desculpa esfarrapada… Mas o meu pai não ficou nem um pouco convencido, já conhecia o David suficientemente bem…

- De certeza? – perguntou desconfiado

- Claro. - sorriu

- Se tu o dizes.

- O almoço está pronto. Para a mesa.

Levantamo-nos e fomos para a mesa…

- O Mauro?

- Vai chegar atrasado.

- Namorada nova?

- Que eu saiba não. Mas com ele nunca se sabe.

- E vocês meninos, também não á namorada nova? – pelo tom de voz insinuou mesmo alguma coisa

- Não. – respondemos eu e o David ao mesmo tempo, que também deve ter percebido o que o meu pai quis dizer

- Oh, meu filho, ainda não é agora que tenho uma nora? E não é tão cedo que tenho netinhos?

- Ui. Onde ela já vai.

- Então Ruben, tens que começar a pensar nisso. – disse a Joana

- É manz. Tá na idade. – gozou-me

- Se calhar ninguém me quer como sogra

- Oh. Você daria uma sogra fantástica. – disse a Leonor

Ia falar… Mas fui interrompido…

- Se calhar ninguém quer é o Ruben. Talvez o problema seja ele, que não consegue arranjar namorada. – disse o Mauro entrando na sala

- Olha que eu não sou filho único. – ripostei

- Tinha que sobrar para mim.

- Tu é que provocas-te filho. E ele tem toda a razão. – respondeu o meu pai

- Não, não tem.

- Então quando nos apresentas a tua namorada? – desta foi a minha mãe

- Estou cheio de fome. – desconversou

- Á quanto tempo? – piquei-o

- Ruben? – advertiu a minha mãe

- Desculpa. – pedi

- Então as famosas manas, Joana e Leonor. Sou o Mauro. – sorriu-lhes

Elas olharam-no com admiração, afinal, ele sabia o nome delas.

- Deixem-me adivinhar. Como é que sei os vossos nomes? Já ouvi falar muito de vocês. – sorriu

Estava para mata-lo… Eu tinha-lhe falado nelas, sim… Mas em nada de muito especial, ele estava mesmo a ver se me enterrava.

- Não é maninho? – decididamente estava a vingar-se – Mas duas? Não te chagava uma? Tá bem que elas são iguais… e lindas… e giras… com um…

- Estás a atirar-te a nós? – perguntou a Leonor interrompendo-o

- Se não o fizesse é porque não estava bom da cabeça.

- Eu não acredito que estás a fazer isso!

- Desculpa, eu não sou como o meu irmão.

- O que tem o teu irmão? – perguntei

- Para seres amigo delas á tanto tempo.

- O que é que tu queres dizer com isso?

- Que ou andas chego, ou viras-te.

- Mauro!? – a minha mãe e o meu pai interferiram

- E o David também. Só falo do Ruben. Vocês têm a certeza que ainda jogam neste campeonato?

- Mauro, não estou a gostar. Estás a envergonhar as meninas.

- Deixe Bela. O Mauro fala, fala, mas quem não deve andar neste campeonato é ele. – disse a Leonor

- Só tem garganta. – completou a Joana…

Risota total… Os meus pais ficaram admirados com a espontaneidade delas e não resistiram também… Já o Mauro não achou muita piada, ficou a olhá-las incrédulo.

- Acho que cê ficou mal agora.

Ele não respondeu, continuou a comer… Continuamos com o almoço, mas os meus pais começaram com as perguntas…

- Então e os meninos, levaram estas lindas meninas ao jogo? – perguntou o meu pai

- Pa verem aquele resultado nem valia a pena. – disse o David

- Só se for para passar vergonha. – continuei

- Nós fomos. E não jogaram nada mal, aquele arbitro é que, enfim.

Instalou-se um silêncio naquela sala…

- Bem, o almoço está óptimo Bela. – disse a Joana para quebrar o silêncio

- Obrigada.

- Sim, agora já percebi porquê que o Ruben é assim tão gordo.

- Comidinha da mamã. – disseram juntas

- Gordo? – disse admirado – Estou ofendido. – fingi um amuo

- Realmente manz. Tem uma barriguinha. – disse rindo

Todos riam da situação…

- Goza comigo agora. Isto, não são pessoas, isto é o diabo em forma de miúdas bem… - a minha mãe interrompeu-o

- Vê lá o que vais dizer.

- Miúdas bem-educadas, simpáticas, mas sabem-na toda.

- Ah… Claro.

- Mas então e as meninas, que idade têm? E o que fazem? – perguntou o meu pai

- 17… Ainda estudamos.

- E são de cá?

- Não. Somos de Barcelos, Braga. Mas com a universidade e a proposta do Benfica, viemos para cá.

- Proposta do Benfica? Escapou-me alguma coisa? – disse a minha mãe

- O grande motivo para ter-mos vindo para cá foi a proposta para atletas de voleibol do Benfica.

- Muito bom. Temos de ver um jogo.

- Teremos muito gosto. - sorriu

- E estão cá sozinhas?

- Sim. Era uma oportunidade única. É o Benfica e nós adoramos voleibol. Viemos atrás de um sonho basicamente. – respondeu a Joana

- Nós estamos aqui para vos ajudar, sempre que precisarem.

- Muito obrigado.

- E onde moram, as meninas?

- Em Alvalade.

- Então David á que tomar conta das meninas, sempre estás mais perto delas.

- Tomo sim. – sorriu e olhou a Joana

A conversa foi fluindo entre muito riso… A Joana e o David pareciam ter esquecido o que tinha acontecido esta manhã, pelo menos por algum tempo. Pois mais cedo ou mais tarde iriam ter de falar sobre o assunto.

Queria falar com o David saber como ele está, mas também não queria insistir, ele ainda pensava que me estava a meter na vida dele mais do que o que devia e se falasse sobre isso iria abrir novamente a ferida… Deixei assim, falo com ele amanhã, afinal hoje está tudo a correr melhor, não adianta estragar isso, ele já se lembra por si só… Mas custa-me tanto vê-los a afastarem-se assim, sabendo que gostam um do outro. Ainda não sei qual a doença da Joana em concreto, mas o que vi é grave, mas ela faz com que isso a prenda, faz com que pareça que a vida acabou. Queria tanto poder mudar esse modo dela pensar, não consigo vê-la sofrer e fazer o mano sofrer quando se amam. Porque já todos percebemos que eles se amam… E tenho medo que o David desista dela…

Depois de almoçar-mos e arrumar-mos tudo, sentamo-nos a conversar mais um pouco até que saímos…


Esperamos que gostem
                   Manas BC*

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Capitulo 29- Culpadas



A porta abre-se, e uma mulher aparece e abraça o Ruben. Presumi que fosse a sua mãe.
- Filho, estás bem? – disse preocupada e olhando-o atentamente
- Sim.
- Mesmo? – insiste aquela mulher com uma preocupação maternal normal.
- Sim, mãe.
- Olá. – disse olhando-me – desculpa não te ter cumprimentado mas é que este meu filho ontem não estava em casa e como tinham perdido o jogo fiquei preocupada.
- Olá, eu sou a Joana. E sou a culpada. Eu e a Leonor raptamos o Ruben e o David para os tentarmos animar e depois acabaram por ficar lá em casa, porque Já era tarde.
- Eu sou a mãe desta criança grande, Anabela. – disse aproximando-se e dando-me 2 beijinhos.
- Prazer.
- Já percebi porque é que os meninos me trocaram por vocês. Afinal são bonitas, simpáticas, amigas… pelo que já percebi… - disse olhando para o Ruben
- Ah! Obrigada. É o mínimo. O Ruben tem sido o meu porto de abrigo ultimamente, preciso dele bem.
- Ok. Fico mais descansada. O David? – perguntou ao Ruben
- O David foi a casa.
- E trás a Leonor. – completei
- Entrem…
Narração do David:
Depois de sairmos, dirigi até minha casa…
- Eu vou só tomá um duche. Já volto. – disse caminhando corredor fora
- Sim, já sei ‘fica á vontade’.
- Já volto. – dirigi-me até ao quarto onde seleccionei uma camisola e uma calças de ganga.
Dirigi-me para o banheiro, e depois de entrar na água… lembrei-me da noite passada em que tivera com ela… que adormeci com ela, tive-a nos meus braços e depois de um erro, voltei a perde-la… despertei, saí do banheiro, me arrumei e depois de arrumar meu cabelo também, fui ter com a Leonor…
- Ui, isso é tudo para provocar a Joana? – disse mal entrei na sala
- Não tou bem, é isso?
- Tás muito bem. Mas acho que tamos atrasados…
- É provável.
Saímos e depois de entrar-mos no carro…
- David, eu sei que gostas da Joana, mas vai com calma…
- Eu acho é melhor nem ir…- confessei
- Não desistas…
- E quer que faça o quê? – perguntei
- Quero que vás com calma, e que tenhas paciência… e que saibas que ela também gosta de ti… Mas está assustada…
- E então o que quer que eu faça?
- Nunca ouviste falar em conquistar a donzela?
- Ouvir, ouvi mas não sei o que é o que hei-de fazer…
- Dá uso a essa cabecinha, que não serve só para ter caracóis fofinhos…
- Chegamos. Preparada pra conhece a senhora que concebeu o menino com quem passou a noite? – fugi ao tema que nos tinha feito gerar aquela conversa desde que saimo de minha casa
- O David, não venhas com isso. Não se passou nada.
- Já me calei, vamo…
Saímos e caminhamos até á porta. Toquei á campainha e o manz nos abriu a porta…
- Entrem…
Entrei e fui ter com a D. Anabela que se encontrava na cozinha com o Sr. Virgílio mas não vi a Joana…
Narração da Leonor:
Depois de termos saído de minha casa, passamos por casa do David para ele se trocar e depois seguimos para casa dos pais do Ruben… Quem nos abriu a porta foi o Ruben e olhou-me automaticamente, com uma expressão que não consegui decifrar…
- Entrem…
Assim que o ouvi dizer isso, entrei sem o encarar…
- Leonor. – disse agarrando-me o braço, fazendo com que ficasse de novo frente a frente com ele
- O que é que tu queres? – disse friamente
- Olha, nada. – respondeu-me no mesmo tom e soltando-me o braço
- Desculpa. – disse baixando o olhar – Eu não devia ter-te dito o que disse esta manhã e sim, tens razão, eu não tenho o direito de me meter na vida deles. Eu só estou preocupada com a minha irmã e com o David também. Porque se eles estiverem bem, a Joana fica bem, ela gosta dele e eu não queria que aquela conversa fosse assim, naquele momento, ia ser pior… - olhei-o pela primeira vez e ele olhava-me e ouvia o que lhe dizia atentamente – Tenta perceber-me.   Desculpa, eu não devia ter falado daquela forma de manhã… - disse
- Eu também tive culpa, desculpa.
- Desculpado… - disse
- Desculpada. Olha, vai entrando enquanto dou um jeitinho lá dentro…
- Vai lá. – respondi
Segui para a sala e como não encontrei ninguém, segui o barulho e fui encontra-los na cozinha…
- Então, Joana trocou de roupa?
O David olhou automaticamente para mim, mal ouviu o nome da Joana…
- Eu sou a Leonor.
O David sorriu-me…
- Desculpa. – pediu-me
- D. Anabela esta é a Leonor.
- Prazer. D. Anabela.  – disse sorrindo e cumprimentando-a com dois beijos
- Bela chega. - sorriu
- Vou tentar. - sorri
A Joana entra na cozinha e o David prende o olhar nela… E eles olham-se profundamente… Tinha-se feito silêncio naquela cozinha, parecia que nem de propósito, para os olhares deles se encontrarem sem ninguém para os interromper… O silencio foi quebrado pela D. Anabela…
- Bem, vocês são mesmo iguaizinhas. Não percebo como alguém vos distingue.
- As únicas pessoas que conseguem fazer essa proeza, somos nós. – disse o Ruben entrando na cozinha
- Bem, que convencido. – disse a Joana dando-lhe uma cotovelada
- Não, sou apenas realista.
- Claro! – disse-lhe ela
- Bem, eu vou acabar o almoço, vão para a sala conversar.
- O Mauro disse que ia chegar um bocado atrasado. – disse o Ruben
- Ok.
Eu e a Joana oferecemo-nos para ajudar e seguiu-se a discussão que ’os convidados não ajudam’… E não conseguimos mesmo ajudar…
- Já percebi a quem sais assim tão teimoso. – disse ao Ruben, enquanto nos dirigíamos para a sala
A Joana e o David calaram-se, apenas se olhavam o que já não conseguiam disfarçar… Sentia que ele estava a sofrer por ela… E sentia que o tinha de ajudar, a minha irmã não me ouve, é mesmo teimosa… Chegamos á sala e sentamo-nos… Eu e o Ruben ia-mos pegando um com o outro…

*Esperemos que gostem 
                          Manas BC*

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Capitulo 28 – Poupa os elogios para o David




- Podes fugir por agora, mas não vais conseguir fugir por muito mais tempo. – o Ruben interrompeu o silêncio
- Eu sei. – disse entristecida – Além disso eu ainda sou menor é crime. – tentei desviar o assunto
- Menor? Mas estás na universidade.
- Nascemos em Novembro, entramos mais cedo para a escola.
- Ah… Novembro! Só faltam dois meses.
- Ruben… Ele… Tu… Vivem noutro mundo, um mundo muito diferente ao que fui habituada e ao que quero para mim. – respondi sendo sincera
Não quero partilhar a minha vida com o resto do mundo, não quero estar na boca das pessoas, não quero ter a imprensa andar atrás de mim. Não quero entrar no mundo deles, dele… Só queria a ele… sem cognome sem reconhecimento. Só e simplesmente ele.
- Talvez. Mas também estás a entrar nele e não é através de mim ou do David. – respondeu-me logo… E eu sabia que aquilo não era mentira. Mas também não era exactamente verdade. O futebol é muito mais mediático e move muito mais mundo que o voleibol. Não me queixo, assim ainda podemos andar na rua e passear sem ninguém nos reconhecer e á vontade e os nossos jogadores de futebol não o conseguem. Pois á sempre alguém que reconheça o seu trabalho e que os acarinhe.
- Ruben, não é igual. – acabei por responder
- Não é igual? Porque ele tem muitas fãs ou porque tu não queres estar com ele?
Eu não quero estar com ele? Como é que ele pode dizer uma coisa dessas? Ele não percebe ou esta a provocar-me…
 - Não percebes. Ele tem muitas mulheres. Porquê escolher uma que não se pode envolver completamente?
- Porquê?
- Porque não posso. Porque… - interrompeu-me
- Amá-lo? – perguntou-me olhando-me pelo canto do olho
- Ruben… - tentei intimida-lo repreendendo-o
- Amas ou não? – insistiu
- Amo. Quer dizer… não sei. Nunca gostei de ninguém. Mas ele mexe demais comigo. Faz-me tremer, faz-me quer abraça-lo, beija-lo… Mas não posso.
- Porquê? Porque ele merece melhor?
- Muito melhor. – disse olhando pela janela
- Pára de dizer que não és suficiente para ele. És tudo o que ele quer, o que ele precisa, neste momento ele só se sente bem do teu lado, ele precisa do teu sorriso, do teu olhar, da tua atenção … Eu conheço o David e eu nunca o vi assim, ele já não é o mesmo quando estás chateada ou muito tempo longe dele. Ele só te quer do lado dele, quer fazer-te feliz e ele consegue fazê-lo. – disse sem bacilar
- Ruben… - tentei calá-lo, já a lacrimejar
- E sabes porquê? – elevou o seu tom de voz, olhando-me nos olhos e eu nada disse – Porque ele te ama.
Aquelas palavras… Não consegui responder-lhe, aquilo deixou-me a pensar… Tínhamos chegado. Ele parou o carro olhou-me e só depois é que saiu. Sai com ele e entramos.
- Fica á vontade. – disse virando-se para o corredor, fiquei a olhar aquela sala… - E vai comer, sim?
- Sim, papá..
- Não gozes, ainda sou muito novo para ser pai…
- Se não andares a treinar…
- Come, que a falta de açúcar já te está a afectar. – disse voltando a caminhar pelo corredor
Ainda deambulei pela sala, e depois fui até a cozinha, preparei uma torrada e acompanhei-a com um copo de leite. Quando estava a limpar o que tinha sujo o Ruben entra…
- Já comes-te?
- Sim papá…
- Acho muito bem. – respondeu-me dirigindo se á entrada
Segui-o, e viu a ajeitar o cabelo em frente ao espelho.
- O meu papá está todo janota… assim vou ter de ter cuidado…
- Não gozes.
- A sério, estás muito bem. Mas permite-me a pergunta, e para alguém especial essa produção toda? É que eu saiba, só vamos almoçar a casa dos teus pais.
- Oh, Joaninha, ela pode estar em qualquer esquina, convêm andar sempre arranjado. Não queres que o papá fique sozinho…
- Não papá… Mas estás mesmo muito jeitoso.
- Poupa os elogios para o David.
- Tinhas de vir… Já estás? Podemos ir?
- Foge, foge… - disse-me já quando eu estava fora da porta…
Seguimos até ao carro, e quando estávamos a distanciar-nos…
- Ruben, tu não tens nada para me dizer? – perguntei antes que fosse ele a puxar um assunto.
- Eu?! Que eu saiba…
- Dormiste com a minha irmã… - elucidei-o
- Ah, isso… Oh não fizemos nada. Ficamos simplesmente a dormir no mesmo quarto…
- Sim. Não te esqueças é que entrei esta manhã sem avisar…
- Oh Joana, não penses nada… Simplesmente a tua irmã, provocou-me e eu ataquei-a…
- Desde que se protejam e tenham juízo…
- Não fizemos nada. – disse me ele logo com um tom de voz um pouco exaltado
- Ok, ok. Estou só a avisar. – defendi-me
- Chegamos. - proferiu
Caminhamos até a porta de entrada, e tocamos a campainha.
Enquanto esperávamos que nos abrissem a porta…
- Ruben, achas que estou bem?
- Joaninha, tas perfeita. A minha mãe não liga nada ao que as pessoas vestem.
- Mesmo assim.
- Estás perfeita. O pior que pode acontecer é teres o meu pai pelo beicinho.
- Nem brinques.

*Esperemos qe gostem...
                          Manas BC*

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Capitulo 27 - Faz o que quiseres...




- Eu não consigo. Diz que sou uma menina mimada, uma fraca por não lutar pelo que quero, por não querer viver, mas eu não consigo... Eu nunca senti nada assim, sempre imaginei como seria e eu não consigo, ele é tudo o que uma miúda pode desejar, ele merece uma miúda que lhe possa dar tudo…
- Tu podes dar-lhe tudo, basta teres mais confiança em ti…
- Não posso Leonor. Não posso dar-lhe tudo o que um homem quer, tudo. E eu não posso.
- Podes! E nem tudo se resume ao sexo. O David é doido por ti e já te deu mais do que provas disso, ele ama-te. E tu podes dar-lhe tudo, a que um homem tem direito, tu podes entregar-te completamente a ele, basta estares preparada, basta que seja aquilo que tu, queres… Basta deixares-te levar pelo que sentes por ele, que cresce a cada dia.
- Cresce? Como é que tu sabes? – fugiu um pouco á conversa
- Conheço-te á 18 anos, já sei umas coisinhas. – sorri, entrei na onda dela
- Obrigada maninha.
- Só quero que sejas feliz. E podes sê-lo. Não tenhas medo de arriscar.
Ela sorriu… Levantou-se sem dizer mais nada. Conheço-a, tudo o que disse fê-la pensar ainda mais… Pela milésima vez que digo o mesmo… Mas ela não perde este medo… Pode ser que talvez seja desta que esta miúda ganha juízo…
- Mana. – chamei-a, ela olhou-me – Quem não arrisca, não petisca! – ri
- És tão parva. – sorriu
Saí daquele quarto e dirigi-me ao meu para pegar uma roupa para poder ir tomar um banho… Entrei… Mas só depois de ver o Ruben e o David é que me lembrei que deveria ter batido á porta…
- Desculpem, eu saio já. Vim só buscar uma roupa. – desculpei-me
- Este é o teu quarto, era só o que mais faltava, pedires desculpa.
- Com licença. – disse o David                                                                     
Quando o vi sair do quarto assim tão apressado calculei que fosse falar com a Joana…
- David. – tentei ir atrás dele, impedindo-o de ir ter com ela
O Ruben agarrou-me o braço impedindo-me de tentar alcançar David…
- Deixa-o ir.
- Deixo-o ir? A Joana esteve este tempo todo a chorar por causa dele e estás a dizer-me para o deixar ir?
- Não achas que eles têm coisas para resolver?
- Não achas que a Joana já teve a sua dose por hoje?
- Eles têm que falar, vão ter de resolver o que aconteceu.
- Mas não precisa de ser agora.
- Precisa de ser quando eles quiserem. – contrapôs ele senhor de ti.
- Mas ela não quer.
- Não sabes.- respondeu -me.
- Sei que a minha irmã está a sofrer e por hoje, chega.
- Não podes impedir nada.
- Posso impedir que ela se magoe mais.
- Não, tu não podes impedir algo que se tiver que acontecer, acontece.
- E tu não és ninguém para me dizeres o que eu devo ou não fazer. – exaltei-me
Já me estava a passar com aquela conversa. Eu disse á Joana que ela tinha que falar com o David, mas conhecendo a minha irmã como conheço aquela conversa iria ser tudo menos agradável naquele momento e ela iria acabar por se magoar mais ainda… Mas não, se eu pudesse evitar e o Ruben não estava a facilitar essa tarefa…
- Pois. Tens razão, não sou mesmo. Mas tu também não és ninguém para interferir na vida deles, não te diz respeito! – pagou na mesma moeda
As palavras dele custaram-me, esperava tudo menos aquilo, ao menos que tenta-se compreender-me… Saí do quarto sem lhe dirigir mais a palavra. Fui até ao quarto da Joana e vi o David sentado na cama com uma moldura dela na mão.
- A Joana?
- Acho que tá tomando banho.
- Eu sei que deves querer esclarecer as coisas. Mas é melhor não ser agora. Só vos irias magoar ainda mais, se bem conheço a Joana, isto é ainda muito recente. Espera até logo á tarde pelo menos.
Ele assentiu com a cabeça…
- Vem.
Saímos do quarto e dirigimo-nos á cozinha.
- Fiz mesmo asneira.
 - Não fizeste nada de errado. O problema está mesmo, é na Joana. Tens de ir com calma. Eu sei que não pressionas-te nada, mas… - fui interrompida
- A minha mãe ligou. O almoço ainda se mantém? – disse o Ruben entrando na cozinha
- Por mim. – respondeu o David
- Tu é que sabes. – disse de forma indiferente
- Se estou a perguntar é porque não sei. – respondeu
- Faz o que quiseres. – disse com tom de insignificância
- Então obrigado pela ajuda. – respondeu no mesmo tom
- Manz, telefona a sua mãe, confirmando o almoço. – disse o David tentando aliviar o ambiente
Ele saiu da cozinha…
- O que se passou?
Não respondi… Comecei a pôr a mesa para o pequeno-almoço e o David ajudou-me… Fiz o pequeno-almoço…
- Eu vou tomar banho, vai comendo.
- Ok.
Saí e fui tomar um banho…
Narração do David:
Corri atrás dela e a nossa ‘discussão’ continuou no quarto da Leonor… Depois dela ter saído, fiquei falando com o Ruben, contando tudo o que tinha acontecido. Passado algum tempo a Leonor entrou no quarto e saí disparado, se a Leonor estava ali a Joana estava sozinha o que era uma boa altura para falar com ela. Cheguei ao quarto e nem sinal dela. Ouvi a água a correr, deduzi que estivesse tomando banho. Vesti-me e fiquei olhando uma moldura com uma foto dela, onde ela aparecia muito sorridente. Com os seus olhos lindos brilhando e um sorriso que mostrava muita felicidade, dava vontade de ter ela assim sorridente do meu lado, tê-la sempre comigo assim, feliz. Pouco tempo depois a Leonor entrou no quarto e depois de lhe ter dito que a Joana devia estar no banho, ela me explicou que deveria falar com ela mais tarde pois uma conversa naquele momento poderia piorar as coisas e eu não queria isso, não queria fazê-la sofrer ainda mais nem deixa-la ainda mais longe de mim…
Saímos e fomos para a cozinha, quando o Ruben entrou e o ambiente ficou estranho… Não percebi o porquê daquilo, ainda tentei entender mas a Leonor não me respondeu…
Antes dela se dirigir para o banho confeccionamos o pequeno-almoço, o Ruben regressou á cozinha.
- A Leonor? – perguntou-me
- Tá no banheiro. Mas vamo tomar o pequeno-almoço.
- Ok. – respondeu brutamente
Ele se sentou e tomamos o pequeno-almoço, sem dialogar-mos…
- Manz, não quer ver se a Joana tá precisando de algo?
- Isso é mesmo só amor. Mas eu faço-te a vontade. – e saiu
Pouco tempo depois voltou..
- Mano, vou indo, ainda tenho de passar por casa. Encontramo-nos na casa da minha mãe. A Joana vai comigo.
Quando ele disse aquilo, percebi que ela não queria falar-me, nem ter-me por perto… Ouvi a porta bater e ficou com a certeza que já tinham saído.
Fui até ao quarto da Joana, entrei e fiquei vendo cada recanto daquele quarto, absorvendo o cheiro dela que se espalhava pelo quarto… Olhei a cama, aquela onde tinha dormido do lado dela, do lado da mulher que amo, mulher que quero para mim. Vi a camisola que lhe tinha dado, naquele jogo que mudou a minha vida. Peguei-a e cheirei-a, tinha o seu perfume, pensar que ela tinha guardado aquela camisola e a tinha ali perto dela, fez-me também pensar que ela poderia querer-me também perto dela. Mas logo voltei á realidade, ela não me quer do lado dela, não me quer presente na sua vida, ela fugiu de mim… Porquê?
Peguei no camisola e apertei-a contra mim…
- Joana, como te amo.
- Encontrei-te! Mas não está ninguém nesta casa?
- Eu sou o quê?
- Tu percebes-te. Os outros?
- Já foram, o Ruben ia passar em casa. Encontramo-nos na casa da mãe dele.
- E o que é que tu estás aqui a fazer? – Pausou – E com isso na mão?
- Desculpe. – pousei a camisola
- Tu gostas mesmo dela…
- Nota-se muito?
- Não! – sorriu
Sorri-lhe e saímos…
Narração da Joana:
A Leonor saiu da minha beira e fui tomar um banho demorado para tentar acalmar… Saí e vesti uma roupa simples. O David estava sempre no meu pensamento. Abri o armário e peguei na camisola que ele me dera, na primeira vez que os nossos olhares se cruzaram, ainda não sabia o quanto a minha vida ia mudar… Fiquei a olha-la. E era isso que ele era, um jogador de futebol. Vive num mundo distante do meu, num mundo completamente á parte. E mesmo que essas barreiras entre dois mundos sejam ultrapassadas, o meu problema nunca deixará de ser isso, um problema, um impedimento… Mentaliza-te Joana, só o podes ter como amigo, nada mais.
Bateram á porta…
- Sim?
- Desculpa, está tudo bem? – perguntou o Ruben abrindo um pouco a porta
- Sim. – pousei a camisola
- De certeza?
- Sim. E por acaso, hoje não temos um almoço em casa dos papás do menino? – disse lembrando-me do almoço
- Por acaso temos. Eu vou já embora.
- Eu vou contigo. Posso? – perguntei
- Isso nem se pergunta, é claro que podes.
Sorri-lhe e ele retribuiu… Peguei na bolsa e saímos do quarto, dirigimo-nos para o hall.
- Vou lhes dizer que já vamos.
- A Leo?
Ele hesitou…
- Ela vai com o David. – disse rapidamente
Achei estranho, mas nem dei muita importância, devia ser só impressão minha. Ele voltou poucos minutos depois…
- Vamos.
Saímos e descemos… Entramos no carro do Ruben e ele dirigiu em direcção a sua casa… Eu estava calada, olhando pelo vidro a paisagem, e por mais que quisesse, tudo parecia triste…

*Esperemos que gostem 
                           Manas BC*